sexta-feira, julho 11, 2008

Lembranças II

Pronto, enfim eu já posso continuar a falar sobre o que vinha falando ontem, ou seja, as lembranças. Durante a minha infância, também tinha meus sonhos, para falar a verdade, minha imaginação sempre foi muito fértil e sonhava com coisas mirabolantes e emocionantes. Acho que a maioria das crianças já deve ter imaginado que um dia iria tornar-se um super-herói, assim como as da TV. Comigo não foi diferente, sonhava e aguardava o dia de descobrir os meus “superpoderes”. Sonhava poder voar, ter “superforça”, poder movimentar objetos com a força da mente, ler pensamentos, além de outras inúmeras habilidades impossíveis. As vezes fechava os olhos e me imaginava em situações de heroísmo, salvando inocentes do perigo, impedindo acidentes, detendo seqüestradores, ladrões, bandidos e vilões dispostos a tirar a paz da cidade de Barra do Piraí, onde morei. As notícias que me chocavam nos jornais e nos comentários da cidade, alimentavam esses sonhos. Teve a história do Caveirinha, a da Kombi de vidro fechado que passava pelas ruas recolhendo criancinhas e outras mais. Quando ouvia isso, ficava com medo de toda e qualquer Kombi que passava. Ao deitar perto do rádio, ficava imaginando encontrar a tal Kombi, segui-la voando, abrir a lataria do veículo com a minha visão de calor e em seguida deter os bandidos com toda a minha força, entregando os seqüestradores para a polícia.

Você pode achar que é besteira eu estar falando isso, pode estar me achando um bobo, mas não estou fazendo isso por um acaso. Ao lembrar desses meus sonhos, fico tentando trazer isso para a realidade de hoje e imaginar o que as crianças de agora devem sonhar ao deitarem-se em suas camas ao som da Jovem Pan.

Uma rua na cidade do Rio de Janeiro, tudo parecia tranqüilo quando de repente, um carro preto rompe a tranqüilidade passando em alta velocidade. O carro passa por uma família a bordo de um Pálio Weekend também de cor escura. No volante, a mãe, no banco de trás, duas crianças, uma de 9 meses e uma de quase quatro anos. Logo atrás, um carro da polícia persegue o carro preto, também em velocidade, é quando o espírito de colaboração com a segurança faz com que a mãe encoste a Pálio Weekend para abrir passagem para os policiais cumprirem com o seu dever e recuperar mais um carro roubado. Infelizmente, as coisas tomam um rumo diferente quando os policiais confundem a Pálio Weekend com o Stilo usado pelos ladrões. Encostam a viatura e seguem a pé em direção ao carro que pensavam ser de bandidos. Para.

Partindo deste momento, qual seria o sonho das crianças de hoje em dia? O que as crianças imaginam ser possível fazer para impedir tamanha catástrofe? Por tudo que senti em relação a este fato, confesso que se eu fosse um “super-herói”, os policiais não iriam ficar nem um pouco satisfeitos com as minhas atitudes, mas garanto que o sonho ficaria lindo.

É triste ver que os papéis se inverteram. Na verdade, esta irresponsabilidade da polícia já ocorre faz tempo, o problema é que acontecia apenas em bairros pobres, por isso ninguém dava importância. É muito comum ouvirmos ou lermos em jornais notícias sobre mortes de traficantes em tiroteio com a polícia em operações nas favelas, mas eu pergunto. Será que todos os mortos eram realmente traficantes? E se realmente fossem? Será que ocorreu uma troca de tiros para justificar os óbitos? Quando se trata de pobre, a polícia não precisa de muita justificativa. Desculpem-me o mau jeito, a falta de papas na língua, mas acho que não há forma melhor de descrever o que está acontecendo. Hoje, a coisa está mudando drasticamente porque as CAGADAS policiais estão deixando de ocorrer apenas em favelas. Policiais fazem CAGADAS na Tijuca, fazem CAGADA em Ipanema e em quaisquer outros lugares.

Concordo em número, gênero e grau com os pais do João Roberto, ele não pode virar um número. Alguma coisa PRECISA ser feita.

Qual seria a melhor solução? Após a CAGADA que os dois policiais fizeram, o governo anunciou a aquisição de não sei quantas carabinas e não sei quantas armas não-letais.

Será mesmo que o problema da segurança do Rio de Janeiro gira em torno da falta de treinamento e da falta de armas? Eu sinceramente acho que não. É de dar raiva ver que tão pouca coisa é feita pelo social. Por que é que a gente ouve falar tão pouco ou quase nada de corrupção dentro da PF? Quanto ganha um PF? Por que ouvimos falar tanto de corrupção da PM? Quanto ganha um PM? Eu sei que uma coisa não justifica a outra, mas podemos dizer que começa a explicar a outra.

Assim como a falta de dinheiro não deve justificar a entrada de um garoto do morro pro tráfico, temos que admitir que começa a explicar. O mesmo ocorre com a polícia.

Mas e então, qual a solução? Já parou para pensar? Eu já pensei nisso diversas vezes e eu tenho certeza que não sou o único. Tenho certeza que existem pessoas com projetos maravilhosos, pessoas que até já estiveram ligadas à Secretaria de Segurança, mas há algum entrave que não deixa as coisas acontecerem. Não é possível que eu esteja enxergando isso sozinho, não é possível que o problema não tenha sido resolvido por uma simples estupidez ou burrice, seria muito arrogante da minha parte pensar isso. Definitivamente, o problema é pior que burrice, o problema é somente falta de vontade, o que me deixa muito desanimado. Quando acontecem coisas do tipo, eu fico me perguntando. Se nada foi feito até hoje, por que agora vai ser? Nada será feito, infelizmente os super-heróis não existem e quem tem os “poderes” nas mãos são os nossos governantes e nós mesmos.

3 comentários:

carol disse...

é isso que dá. vem pra casa da namorada todo dia e assiste caminhos do coração-a volta dos mutantes tisc tisc tisc

Amanda disse...

É, Alex.. é fogo.
:(

Mas bora atualizar!!!

Amanda disse...

Bora atualizar, né, mocinho? Qual é o critério que eles usam pra escolher esses anúncios? Os seus são mais legais q os meus, q são só tipo "namoro evangélico". heheheh

=*********